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/ Savana Ferreira

Câncer de mama

O que é, causas, como prevenir, como tratar

 

 

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais comum entre as mulheres no mundo todo, apenas atrás do melanoma, que é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Ao todo, a doença registra aproximadamente 50 mil novos casos por ano no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), número que assusta devido ao risco que apresenta para a saúde.

Porém, se diagnosticado logo nas fases iniciais, por meio de exames preventivos como a mamografia, o problema nos seios pode ser tratado com sucesso.

 

O que é?
O câncer de mama é causado pelo aumento de células anormais nos seios, fruto de mutações genéticas que afetam a capacidade de divisão e reprodução das partículas. Esta anomalia pode ser acarretada por diversos fatores, embora não haja uma causa global que determine o aparecimento da doença. Como resultado, é criado um tumor, que pode ser benigno ou maligno. O primeiro não é prejudicial à saúde pois não atinge outras partes do corpo, enquanto o maligno é cancerígeno e, se não controlado, pode se espalhar para outros outros órgãos e tecidos, colocando vida do paciente em risco.  

Causas
Existem algumas condições que aumentam a probabilidade de desenvolver o câncer de mama, como o próprio sexo feminino, visto que as mulheres apresentam quantidades mais elevadas de hormônios como estrogênio e progesterona, que estimulam as células mamárias e podem propiciar condições para aparecimento do tumor.

Fatores de risco 
Predisposição genética hereditária (mutação dos genes BRCA1 /BRCA2)

Histórico familiar de câncer

Primeira menstruação precoce (antes dos 12 anos)

Menopausa tardia (após os 55 anos)

Gestação tardia (após os 30 anos)

Nunca ter engravidado 

Nunca ter amamentado

Radioterapia prévia na região do tórax

Apresentar mamas densas na mamografia

Obesidade

Sedentarismo

Alcoolismo

Tabagismo

Terapia de reposição hormonal prolongada

Uso de anticoncepcional com estrogênio e progesterona


A partir de que idade?
Devido às alterações que ocorrem no corpo com o passar dos anos, a idade é um fator predominante para o aparecimento do câncer de mama. De acordo com o INCA, a incidência é maior a partir dos 50 anos. Apesar da ascendência em mulheres mais velhas, é recomendado realizar o rastreamento a partir dos 25 anos, a fim de diagnosticar logo cedo a doença, que também pode acometern jovens expostas às condições de risco. 

Tipos de câncer de mama
Os tumores nos seios podem ser de diferentes formas e estruturas, sendo o mais comum o carcinoma ductal.

Entenda a seguir a diferença entre os principais tipos:

Carcinoma ductal
É o tipo mais comum e ocorre nas células do ducto mamário, rede de canais que transportam o leite materno. É dividido em in situ e invasivo. O in situ é o nódulo em fase inicial, que não tem potencial de se espalhar para outras partes do corpo, pois possui uma película retentora chamada basal, que segura as células cancerígenas. Já o invasivo pode se espalhar para o tecido da mama e para outras partes do organismo por meio do sangue e do sistema linfático, sendo mais difícil de tratar e curar.

Carcinoma lobular
É o segundo tipo mais comum. Ele afeta os lóbulos mamários, responsáveis pela fabricação de leite. Também é classificado em in situ ou invasivo. Assim como acontece no tipo ductal, o invasivo é mais difícil de ser detectado e pode se espalhar para outras partes do corpo, já o in situ é menos agressivo e não se desenvole além das paredes dos lóbulos. 

Inflamatório

O câncer de mama também pode ser do tipo inflamatório, que machuca a pele deixando-a avermelhada, inchada e febril. Este tipo de tumor não apresenta nódulos, apenas alterações na pele, que são causadas por células cancerígenas que interrompem o fluxo dos vasos linfáticos. A inflamação também pode deixar a mama mais firme ou maior, provocar coceira, dor e deixar a pele com aspecto de casca de laranja. É um tipo mais agressivo e que apresenta chance maior de se espalhar para outras partes do corpo.

Doença de Paget
Mais raro, é um tumor que tem origem no tecido conjuntivo das mamas, geralmente nas aréolas e/ou mamilos. Geralmente, apresenta sintomas na pele como vermelhidão, dor, sensibilidade e coceira, porém também pode ser assintomático. Há teorias que sugerem que esse câncer pode ser fruto de um tumor no ducto mamário que avançou para a epiderme ou pode ser originário da região em que os ductos se encontram com a pele. Casos avançados da doença de Paget podem fazer com que o câncer se espalhe para outras partes do corpo, porém é necessário avaliar caso a caso.

Hormônios e câncer de mama

Os tumores podem ser caracterizados de acordo com seu grau hormonal, o que pode ajudar no diagnóstico e determinar qual é o tratamento mais indicado. Exames específicos, como a biópsia, são necessários para determinar este fator.

Os cânceres identificados como receptores de estrogênio e/ou progesterona positivos são os que têm ligação direta com alterações destes hormônios, que podem estimular o aumento de células malignas. É menos perigoso e seu tratamento normalmente responde à terapia hormonal.

Já os tumor com característica HER-2 positivo referem-se à proteína de mesmo nome que, em quantidades elevadas, propicia o desenvolvimento do câncer. Estes tumores são mais agressivos que os demais e têm maiores chances de se espalhar para outros órgãos.

Há uma terceira característica denominada Triplo Negativo. Ela ocorre quando os resultados para os receptores de estrogênio, progesterona e HER-2 são negativos. "Este quadro faz com que o tumor se espalhe mais rápido e não responda aos tratamentos hormonais. Porém, apesar de ser mais agressivo, o triplo negativo reage bem à quimioterapia", explica a mastologista Heliégina Palmieris.

Sintomas
Nódulo na mama, geralmente indolor

Alterações no tamanho da mama

Pele avermelhada, retraída ou ressecada

Anomalias nos mamilos

Saída de secreções das mamas, principalmente sangue

Nódulos no pescoço ou nas axilas

Caso perceba alguns dos sinais acima, procure um mastologista (médico especialista em mamas) que poderá ajudá-la a identificar características que definem se alteração é câncer.

Tem cura?
Sim. O mais importante é diagnosticar a doença ainda em seu estágio inicial, pois o câncer de mama tem 98% de chances de cura quando detectado precocemente. Porém, mesmo após estar curado é preciso lembrar que deve ser realizado acompanhamento junto ao médico para prevenir o ressurgimento da doença e controlá-la caso aconteça. As maiores chances de retorno do tumor nos seios ocorrem nos primeiros 5 anos após o fim do tratamento, porém há casos em que o tumor volta mesmo após este período, sendo importante realizar consultas anuais a fim de diagnosticar lesões logo em suas fases iniciais. 

Caso o tratamento não comece na fase incial, o tumor pode apresentar metástase, que é quando o câncer se espalha para outras partes do corpo. Começando o acompanhamento após essa fase, a paciente é submetida a métodos paliativos, que têm o objetivo de oferecer qualidade de vida pelo maior tempo possível.

Tratamentos
Não há comprovação científica de que terapias naturais, baseadas em alimentos e outras substâncias, ajudem no tratamento do câncer de mama. Porém, a adoção de hábitos saudáveis pode ser um método complementar aos recursos clínicos, como a quimioterapia e a ingestão de medicações orais. Ter uma alimentação balanceada, evitar o consumo de álcool e parar de fumar são medidas que colaboram com o bem-estar do corpo.
A hormonioterapia é um conjunto de medicações que impede a ação dos hormônios que causam o aumento do número de células cancerígenas, como o estrogênio e a progesterona. É realizado após outros tratamentos de câncer de mama, a fim de evitar a volta do problema.A medicação deste tipo não oferece efeitos colaterais e é indicada até cinco anos após o controle do tumor. 

O tratamento mais comum é a quimioterapia e tem como base o uso de medicamentos intravenosos cuja função é matar ou impedir o crescimento das células anormais. A indicação da quimioterapia depende de diversos fatores, como a idade da paciente e o tamanho, tipo e característica hormonal do tumor. Costumam ser realidades durante um período que pode durar de quatro a seis meses. Esse tratamento costuma acontecer antes da cirurgia na mama.

Radioterapia 
O uso de radiação ionizante pode eliminar ou inibir a propagação dos organismos que formam o câncer. É indicada para quem realizou a retirada cirúrgica da região do tumor. O procedimento dura de 3 a 6 minutos e emite radiação diretamente da mama por meio de uma máquina parecida com um raio X. É indolor e só causa efeitos colaterais se o aparelho estiver sem regulagem, o que pode acarretar em queimaduras avermelhadas na pele. Apesar de haver vários tipos, os métodos de radioterapia mais utilizados são o eletromagnético e o com elétrons.

Cirúrgico
A cirurgia para remoção de tumores na mama pode atingir a região do câncer (quadrantectomia) ou todo o seio (mastectomia). No último caso, é realizada a reconstrução mamária para amenizar o quadro estético. Outra opção é a drenagem do linfonodo (nódulo) atingido, além do esvaziamento axilar, que é a retirada de todos os linfonodos da axila. 

O tratamento cirúrgico para o tumor de mama é necessário em praticamente todos os casos de câncer, exceto quando as células danosas já se espalharam para outros tecidos e órgãos. Pode ser combinado com outros recursos, como a quimioterapia, visto que algumas pacientes precisam se submeter a ela para diminuir o caroço e depois retirá-lo.

Prevenção
Não há uma fórmula pronta para prevenir o câncer de mama. Porém sabe-se que práticas saudáveis podem reduzir a incidência da doença. De acordo com o Inca, a combinação entre alimentação balanceada, controle do peso corporal e atividade física pode diminuir em até 28% o risco de tumor nos seios. O consumo de bebidas alcóolicas também deve ser evitado, já que elas podem aumentar os níveis de estrogênio. Outro meio de prevenção é investir na amamentação e reprimir a exposição desnecessária à radiação, como os exames de raio X.

Exames da Mama
Autoexame

Amplamente divulgado pela mídia, o exame do toque é o meio mais básico para prevenir este problema, já que pode ser realizado pela própria mulher sem auxílio de médicos ou aparelhos. A recomendação é que seja feito mensalmente a partir dos 25 anos, preferencialmente após a menstruação para aquelas que ainda não alcançaram a menopausa. O passo a passo do autoexame da mama é simples e um médico deve ser consultado caso a mulher identifique sinais como alteração na pele e no bico do seio, secreção, aumento e nódulo na mama.

Entretanto, vale lembrar que o método por si só não é capaz de fornecer o diagnóstico, já que não detecta os estágios iniciais da doença, que são pouco aparentes, e muitas vezes o câncer de mama pode não ser percebido pelo toque. Portanto, é uma medida auxiliar aos exames clínicos, como mamografia e ultrassom mamário.

Ultrassom mamário
A ultrassonografia mamária é um exame muito importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama. É indicada para mulheres com mamas densas – presentes em mulheres mais jovens, que apresentam algum sinal de tumor ou possuem histórico na família. O ultrassom da mama também pode ser aliado à mamografia, já que é um exame complementar capaz de avaliar o tipo de nódulo na mama. 

Indolor, o teste é realizado com uma máquina de ultrassom comum, semelhante ao aparelho de ultrassonografia do abdomen. Geralmente, a paciente fica deitada com a barriga para cima e os braços atrás da cabeça - exceto em casos de seios grandes, quando a mulher tem de virar de lado para facilitar o exame no interior do tecido mamário.

Mamografia
Técnica considerada a mais eficaz para reduzir a mortalidade por este tipo de tumor, a mamografia nada mais que é o Raio-X que consegue identificar nódulos e calcificações iniciais que não podem ser sentidos no autoexame e no teste clínico que o médico realiza. De acordo com a Organização Mundial da saúde, a idade ideal para mamografia é dos 50 aos 69 anos e a frequência deve ser a cada dois anos. Antes desta idade, a prescrição do exame fica a cargo do mastologista, pois se realizado precocemente pode oferecer riscos ou fornecer resultados incorretos. 

Teste genético
Esse teste é Indicado para quem tem histórico familiar de cancer de mama. Ele detecta a pré-disposição hereditária para o surgimento de câncer de mama por meio do isolamento e da pesquisa de genes. A realização do teste genético geralmente inclui coleta do sangue, consulta com geneticista e construção de uma árvore genealógica com os casos de tumor na família. Segundo Heliégina Palmieris, a análise, que custa entre R$ 2 mil a R$ 3 mil, pode ser realizada por quem já teve a doença, a fim de identificar a passagem dos genes para os descendentes, ou por quem apresenta histórico na família e quer identificar a probabilidade desenvolver o problema. 

Mastectomia preventiva
Consiste em retirar os seios para evitar o aparecimento do câncer. Assim como o caso polêmico em que Angelina Jolie tirou as mamas para evitar o câncer. É indicado para pessoas cujo teste genético foi positivo para mutações do gene BRCA1/BRCA2, que indicam a possibilidade de ter um tumor malígno. A cirurgia divide opiniões de médicos devido aos riscos e impactos psicológicos para a mulher, portanto, é um método que deve ser ponderado com cuidado. 

Câncer de mama masculino
O câncer de mama também pode atingir os homens, mas é mais raro, totalizando 1% dos casos. Assim como as mulheres, eles possuem estrutura mamária, a diferença é que o ducto mamário masculino é menos desenvolvido e possui níveis reduzidos de hormônios, o que torna mais difícil o aparecimento do problema. Porém, alterações hormonais, casos na família e mutações podem viabilizar a doença, que tem sintomas semelhantes ao tipo feminino, como nódulos e retrações do mamilo. A forma de prevenir é a mesma recomendada para mulheres.

Fonte: vix.com

 

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