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Discurso de Bolsonaro abriu discussão: vidas ou economia

Empresariado não quer prorrogação de decretos que mantém comércio fechado

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de terça-feira, condenando as determinações de governos estaduais e municípios, como em Cachoeira do Sul, de fechar as atividades produtivas e comércio, repercutiu em todo Brasil e acendeu uma discussão. O que deve ser preservado, vidas ou economia?

De um lado, a preocupação com um colapso financeiro na cidade diante da impossibilidade de movimento no comércio, restrito às atividades essenciais.

De outro, o temor de um cenário como o da Itália de insuficiência da rede de saúde para socorrer aos casos de coronavírus que force também uma paralisação total.

O prefeito Sergio Ghignatti relatou ter ficado “horrorizado” com a quantidade de críticas dirigidas ao discurso presidencial e chegou a gravar, de forma inédita, um vídeo para as redes sociais, dizendo que manteria as restrições na cidade e reforçando a recomendação de isolamento social.

O debate ganha corpo em Cachoeira, especialmente porque, apesar de naturalmente preocupados com os riscos que o coronavírus causa à saúde da população em geral, especialmente os grupos de risco, há também um temor muito grande com relação aos negócios e uma crise de maiores consequências para sustento de empresas e manutenção de empregos.

“Nós concordamos com as medidas que foram tomadas até agora, mas essas restrições não podem perdurar porque as empresas têm seus compromissos e não há como honrar com salário dos trabalhadores, entre outras obrigações, sem a retomada de suas atividade”, analisa o presidente do Sindilojas, o empresário Antônio Trevisan.

PRIMEIRO A VIDA

Para Trevisan, a situação atual de combate ao coronavírus e seus efeitos é extremamente delicada.

Trevisan não deixou de avaliar o pronunciamento do presidente, que teve um “impacto muito negativo não de forma política, mas pela parte humana. O momento é de preservar primeiro a vida, depois a economia”, ponderou.

IMPORTANTE

Movimentos no sentido da retomada das atividades já ocorrem em outros municípios gaúchos e também organizados por entidades representativas das associações comerciais de todo estado, como a Federasul, que irá emitir uma nota ao Governo Estadual alertando as autoridades para o “risco iminente de colapso das atividades essenciais”.

A entidade defende que haja um plano para a retomada das atividades a partir da primeira semana de abril.

Entidades empresariais pedem fim de decreto na próxima quarta

A Cacisc e demais entidade de Cachoeira do Sul estão preparando um manifesto para ser entregue ao prefeito Sérgio Ghignatti para que, passado o período do decreto, as atividades produtivas sejam retomadas com segurança em Cachoeira.

Em cachoeira, o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Cachoeira do Sul (Cacisc), Fábio Silva, lidera um grupo de outras entidades que compõe a Cacisc que vão pedir a GG que a cidade saia da quarentena comercial a partir da próxima quarta-feira, e não somente no dia 5 de abril, quando encerra o prazo da medida do prefeito.

“Tanto o prefeito quanto Bolsonaro estão certos. Cada um com suas razões. Entendemos que este é um momento de um meio termo, não pode ser oito ou 80.

O presidente foi muito 80”, entende Fábio. Ainda assim, ele entende que passado o ponto crítico de transmissibilidade do coronavírus o chamado isolamento vertical deveria ser praticado.

Ou seja, no manifesto a ser enviado ao prefeito, uma das ideias que vem sendo debatida pelos empresários nos grupos de Whatsapp seria que empresas liberassem trabalhadores de grupo de risco das atividades, por meio de férias ou outra alternativa adequada à legislação trabalhista e mantidas as recomendações de cuidados com a etiqueta respiratória.

“As empresas de modo geral não suportam tanto tempo fechadas, então é preciso que seja retomada uma normalidade progressiva”, defende Fábio.

UMA PERGUNTA

Como as empresas estão enfrentando a situação?

>> Sem movimentação, as empresas não têm recursos para assegurar o cumprimento de seus compromissos, sejam impostos ou até mesmo o salário de seus empregados. Ainda é difícil avaliar, mas algumas empresas cachoeirenses já estudam medidas como o corte de despesas a partir de demissões, o que já teria ocorrido em alguns ramos em pequena escala. Empresários que preferem não ser identificados, acreditam que isso não ocorra de forma intensa até o fim do prazo do decreto na cidade, mas que posteriormente as medidas como férias e cortes em funcionários serão analisadas.

>> Quem manifestou o sentimento do empresariado nas redes sociais sobre o temor com o colapso da economia foi a contadora Iara Farias, do escritório Servicon. “Estamos sentindo na carne. Como manter nosso negócio andando? sabemos que nossos funcionários têm família, seus compromissos. Na verdade é uma engrenagem que precisa funcionar”, comenta. Iara, que possui contato com muitos empresários clientes do escritório, relata, que “os empresários não dormem mais pensando em como se manter produtivos no pós crise”.

>> A situação é tão grave também para microempreendedores e trabalhadores informais. Muitos já relatam em seus grupos de convivência o desespero em como honrar seus compromissos básicos, como aluguel de seus imóveis e despesas básicas, se não possuem movimentação para saldar estas dívidas. Muitos já pensam em se desfazer de patrimônio para ter como se manter em meio a essa situação.

Ghignatti sofre com pressão de médicos e empresários

Em meio à emergência do coronavírus, o prefeito Sergio Ghignatti se vê pressionado por duas classes importantes da sociedade. De um lado, a área da saúde representada especialmente pelos médicos que alertam para o risco de colapso do sistema de atendimento em caso do surgimento de muitos casos graves.

De outro lado, está o empresariado preocupado com a falta de movimentação dos negócios a partir do decreto que fechou comércio e serviços, o que pode provocar um estancamento produtivo e ao corte de empregos. Todas estas pressões são levadas ao prefeito, que num primeiro momento optou por estancar os riscos à saúde. “Primeiro as pessoas”, diz GG.

“Há muitas pessoas que ainda não têm consciência da gravidade que estamos tratando neste momento. Será que precisa ter uma morte para isso ocorrer?”, questiona. GG garantiu que à medida que o cenário mundial e nacional evoluir, as medidas restritivas serão atenuadas. “Neste momento, não podemos ir contra as recomendações de todas autoridades mundiais, especialmente da saúde. Depois, avaliamos e as medidas restritivas serão reavaliadas”, comentou.

Cacisc pede suspensão de impostos por 60 dias

A Cacisc encaminhou por ofício ao prefeito Sergio Ghignatti que seja suspensa a cobrança de todas as taxas e impostos municipais com vencimento desde a edição dos decretos, da semana passada, pelo prazo de 60 dias da vigência daqueles documentos.

O ofício enviado ao Governo pede inclusive a suspensão temporário da cobrança dos parcelamentos e de tributos que integram o Simples Nacional, além da inclusão dos alvarás sanitários.

PARA SABER MAIS

O que Bolsonaro disse ontem, um dia após seu pronunciamento que chamou de “resfriadinho” e “gripezinha” a infecção pelo coronavírus.

>> Alguns poucos governadores e prefeitos estão tomando medidas além da normalidade, verdadeiros donos de seus estados e municípios, proibindo tráfego, fechando empresas e comércio. Nós temos 38 milhões de autônomos no Brasil. Muitos estão sem seu ganha pão e o que tinha na geladeira acabou. Não tem renda e tem família, é uma massa considerável.

>> As empresas não estão produzindo nada, zero. Sem produzir nada, não tem como pagar seu pessoal do CLT. Mais avante, se a economia colapsar, não vai ter dinheiro para pagar servidor público. O caos está aí, na nossa cara.

>> Podemos ter problemas os mais variados, como saques em mercados, o vírus continuará entre nós. Ficaremos com o caos e o vírus, juntos. O que precisa ser feito? Botar esse povo para trabalhar e preservar idosos e quem tem problema de saúde. Caso contrário, o que aconteceu no Chile (China) vai ser fichinha perto do que acontecerá no Brasil. Ninguém sabe o que pode acontecer.

>> Isolamento vertical é solução. Peguei um vídeo do Japão, todo mundo na normalidade. Você tem que pegar o idoso e isolar. Cada filho cuida do seu pai, poxa. Não posso eu pagar um funcionário para fazer isso.

>> Não estou preocupado com minha popularidade. Esse momento faz com que a esquerda aproveite do momento para chegar ao poder. 

Fonte da notícia: Jornal do Povo
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